Carta para se vestir a nudez

Carta para se vestir a nudez Para se vestir nudez, carece não tê-la Pois quem é nu, já veste a camisa Ter de ser implica faltar É quando sobram carapaças e desculpas É o limiar do apaziguamento e do pulso A receita do antídoto Para bêbados beligerantes, paz Para bloqueio de escritor, whisky À nudez…

Sono

Sono Vêm-se os anos Vão-se os sonhos Marcas e lembranças Da decepção de ter sonhado um dia Se o rosto lúcido esconde o medo Além do tempo que o separa da pureza Uma criança se torna E toma uma canção de amor para si Sonha a verdade de seus sonhos Que alguém vê e abre-lhe…

Duo

Duo Amor amado Nasceu nascido Passou passado Viveu vivido Sonhou sonhado Ardeu ardido Durou durado Sorriu sorrido Calou calado Morreu morrido Voltou voltado Querer querido Amou amado Contar contigo. Anderson Ribeiro

In Totum

In Totum Cometer aliterações em teus ouvidos Fazer a pele arder em teus sentidos Misturar o som do gozo com os gemidos Depois fazer silêncio dos ruídos Manter a intercessão em nossos corpos Como que o plural de um só ser Romper com este silêncio em que dispostos Para não deixar a noite arrefecer De…

Liturgia

Liturgia Eu preciso escrever um poema sobre espaçonaves É urgente! Porque de todos os temas poéticos As espaçonaves é o que mais me emociona Falam de luzes, de tempos e de viagens O tema da minha vida é o caminho das distâncias São espaços preenchidos por lumes e breus Alternâncias de memórias do que já…

Conto

Conto … mas o final, não conto. Anderson Ribeiro

Poema Infinito

Poema Infinito Eis que me encontro labutando finitudes. Elas, que não acabam, acabam fecundando encontros (e seus desvios). Em torno das finitudes, adjacentes seus brotos, seus dejetos… É um caminho. Penso em olhos azuis, lembro de força, vejo doçura. São gritos, silêncios, filhos e filhos dos filhos e dos filhos. Natais, primaveras, canteiros e latas…

Ciclo

Ciclo Antes de minha morte eu vivi algumas vidas Antes do outono as tempestades passavam Quando eu era velho havia cores a criar E enquanto entardecia elas se ofereciam Antes da minha vida eu morri algumas vezes Porque antes das primaveras o sol se calava Enquanto eu desenhava a minha sombra ele brincava assim E…

Bêbado

Bêbado Sei que eu não sou um bom cantor… Mas quem pode com quem está feliz? Anderson Ribeiro

Theometria

Theometria Certa vez desenhei um triângulo com mil lados Depois de pronto o chamei quadrado redondo e Em cada lado escrevi uma história Depois de escritas as chamei de Cantos e Em cada canto folheei mil páginas Depois de lidas as chamei de asas e Em cada asa voei mil dias e Em cada dia…