Adorno Ciático

Adorno ciático

Ah, o inusitado!
Esse pote de certezas
Que nos entrega tudo pronto
Sempre sabemos que será inesperado
Quase um roteiro de todas as surpresas
Um eterno instante atemporal

Ah, o efêmero!
Esse rito perpétuo de nunca durar
Esse estalo contínuo de dissonâncias uníssonas
Uma verdadeira mentira sobre o tempo
Paralelos sempre se tocando

Ah, as palavras
Esse estúpido fardo de sabedoria
Essa veste transparente da nudez
Essa utópica realização que cuida agredir
Esse áspero limo de pequenices gigantescas
Esse turvo lume

Nada diz tudo
Tudo significa nada
Esse contraste monocromático
Faz todas as cores empalidecerem
São inúmeros brancos
E os números não mentem
Mas as as verdades são tridimensionais
Onde dói?

Anderson Ribeiro

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