Sonhos de Gaveta

Sonhos de Gaveta Guardei meus sonhos na gavetaLancei tranca reforçadaE previ chaves perdidasPara quando o amanhã for ontem Quantas canções eu fiz não seiMas já perdi poemas para a coesãoCom rimas de abundante sentido E fôlego de susto Todas lá bem guardadas agoraCom rangidos de dentesBruxismo de batatas assandoE ausente tesão Eram pois chama miúdaNão…

Sobre Saber

Sobre Saber Tantas palavras que não cabem maisNo meu passado que um dia tereiForam trocadas por falar demaisDe outro passado que eu não planejei Tenho chorado como quem quer maisAchar a chave do meu mundo, talvezDeixar recado pra quem vir atrásQue a gente está do mesmo ladoE é preciso ver e rever Que foram todas…

Limbo

Limbo Não ouço ecosHoje minhas palavras se perdemSem reverberaçãoNada as resvalaAs ditasAs não ditasAs futurasE as feridasOutrora outro soproEu assim meio sementeViço de broto intermitenteFlor e espinho em mesmo taloMeio Frida” e meio caloNão mais temo a morteA vida é que me mataSofro pelas articulaçõesAs minhasE as que nunca tiveVoltaram-se contra mimDevem também estar certasNão…

Louva à Deus

Louva à Deus A gente tem muito pluralNão cabem eles em tão pequena singularidadeMas vou ali copiar uns neologismos de alguémÉ que já não me basto Cancelem as viagens ao espaçoHá universos inexplorados em nósOnde a melodia é solQue ilumina viagens em si Minha unidade engravidouAgora os sou, os pluraisQue me odeiem pelos outdoorsOu me…

Plano B

Plano B E dos que em tudo não sou grandes coisasNão me aproximo maisOs quero distantesE distantes os vejo do tamanho que sãoO horizonte amplia a visãoNão serei lembrado por meus prodígios Ou pela genteboísseQue seja então pelos amores que tive e quis terQue vontade! Anderson Ribeiro

Paralelocentrismo

Paralelocentrismo O levante é de todosMaioria deitadaE eu aqui entorpecido de realidadesUmas falsasOutras de brincadeirinhaQue loucura! Anderson Ribeiro

Eco

Eco Quando eu nasci um anjo roqueiroDesses que balançam o esqueletoCantarolou do lado esquerdoUm som que eu nunca esqueci Anderson Ribeiro

Grossa Gente Fina

Grossa Gente Fina Gente que diz que vemMas o medo é maiorGente que é bonita por foraMas por dentro é pior Gente que diz que queriaMas espera o diaGente que se esconde da genteSó por covardia Gente que escreve saudadeNa satisfaçãoGente que mente respeitoNa explicação Gente que paga de heróiEm rede socialGente que diz tamujuntuPra…

História

História Fiz faculdade de tecnologiaSem saber pra onde iaPara cada zero tinha umQue não batiaNão com binárioNão se entendiaUm era sorteZero utopia Anderson Ribeiro

Esse Cara Velho

Esse Cara Velho O que você diz não contaE o que não me conta faz faltaSobram entrelinhasOnde está o todo? Quando você reclamavaDa distância analógica das cartasNão imaginavaA insobrevivível solidão digital O Desimbrolhimento é confusoArde nas impermanências Porque poesia se faz com linhas Que cloud’s beggars não sabem existir Anderson Ribeiro