O Sujeito

O Sujeito

Era pólvora e a umidade
A soberba e a humildade
Era simples, senão composto
Era o ritmo e era o gosto

Era o naco e o taco
Era o tico e o treco
Era o extremo e o delicado
Era o breu ou era o recado

Era o alfa ou a mais ridícula
Era o instante e o congelamento
Era a carne e o seu tormento
Era o karma e o livramento

Era o pleito e a decisão
Era a cereja ou o furacão
O especialista e o paciente
Era a receita insuficiente

Era o éter sob o chumbo
Era a proa e o caminho
Era o lado e o reflexo
Era o absurdo e era o nexo

Era o sujo mas tinha jeito
Era o estranho e o mais íntimo
Era o quase ou só metade
Era o eterno e era a idade

Era ele ou qualquer um
Era o tento e a cartela
Era o incêndio e a nuvem cheia
Era o rebento e a tutela

Era a antítese e a concessão
O infinitivo e o pleonasmo
Era a tumba e a remissão
Era a sorte e a contramão

Era o escambo e a renúncia
Era a vítima e a denúncia
O desapego e a possessão
Era a arma e o caixão

Era o estrondo e a surdez
Era o próximo ou a sua vez
Era o escândalo e a consequência
Era o desfecho e era a sequência

Era o ponto e as reticências
Era o sujeito e o predicado
Era o escárnio e a redenção
Era a desculpa da oração

Anderson Ribeiro

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