Pulo a Bula

Pulo a Bula

Meu pai que ama doce
Vai de café amargo
E olhar sem aspas
É que o futuro era melhor
Quando ainda estava por vir
A pressa é para que o sonho
Ainda tenha motivos
E… sabe?!
O verbo no passado
É o futuro da preguiça

Por teimosia ouvi dizer
Que orelhas fazem mais que suportar os óculos
E quanto mais corria
Mais o relógio esvaziada o riso
Disso não guardo mágoa
Mas a consciência de que
Se não se resolve
Desassossega

O avesso dos paradigmas
É olhar outra vez
E quem dirá que o abraço não é
Poliglota e multi instrumentista?
O tempo que amassa a raiva e molda a fartura
Escalda os olhares e traduz os passados
É ele, o tempo, o senhor das alforrias
O escultor de aconchegos
É o antídoto da bílis
O doce tempero para o amargo
Ele estanca onde sangra
E separa os sentidos
E quanto os junta novamente
Viram música

Poesia é desconstruir o vício
É saber qual lobo alimentar
É achar a rima que desvenda mistérios
A origem do universo ou o sono dos bons?
Poemas transformam pontos em reticências
Quaisquer fronteiras em adjacências
E todos os fins parem sequências
As mesmas formas iguais de fazer tudo diferente

Então as teorias apaixonadas agora são gelo
E dele vem o fogo em debandar
Quem sai desse jogo descobre
Que o infinito é logo ali no fim da partida
Mas se no sonho é gado
A maioria emburra
Sem saber que a bula das eternidades
É quem alforria o sorriso

Sou de poucas certezas
Sem cor preferida ou melhores caminhos
Sou um estalo repente
Um instante improviso
Um pote de tantas vilezas
Cheias de esperanças que derramam
E acho que eu tenho medo de certezas
E de quem acha fácil
Sem saber que o difícil existe
No outro o conforto não deixa
Entender meus motivos
E sempre que os matam
Eles, em mim, permanecem vivos

Foi o futuro que roubou meu presente
E eu tenho tanta certeza das minhas dúvidas
Que até comprei mais cotonetes
Quero ouvir a música!

Anderson Ribeiro

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