Poema Infinito

Poema Infinito

Eis que me encontro labutando finitudes.
Elas, que não acabam, acabam fecundando encontros (e seus desvios).
Em torno das finitudes, adjacentes seus brotos, seus dejetos…
É um caminho.
Penso em olhos azuis, lembro de força, vejo doçura.
São gritos, silêncios, filhos e filhos dos filhos e dos filhos.
Natais, primaveras, canteiros e latas diversas com flores.
Tudo serve, tudo frutifica em qualquer cantinho.
Finitudes são finais de semana, são semanas inteiras, meses.
Não vou falar dos anos, não vou falar.
Talvez do tempo, este sim, pulverizado, subjetivo e anacrônico e sempre atual.
As subjetividades das finitudes são opacas, me lembram o grisalho dos fios e a fumaça do café.
Me lembro das perdas e me lembro dos natais (com a devida licença poética).
É que do alto de minha alma formal, nasci improviso: O que vem pronto, desconstruo.
Coisas que acabam e coisas que não acabam (além das que acabam sem acabar).
Às indas e vindas das finitudes transbordam colapsos:
Os cantos ficam sempre mais cheios e o pensamento confuso.
São muitas as finitudes, muitas mesmo, algumas especiais.
Algumas são vertigens, outras infâncias, outonos e outubros…
Mas também são janeiros, muitos janeiros.
Sei que já havia citados os meses, então repito… hoje posso!
É que já hoje chorei, mas agora escrevo,  e sou infinitamente poeta neste momento.
Ontem mesmo sorri, ontem mesmo beijei e ganhei presentes…
Claro, além dos olhos azuis!
Doce de leite, goiaba, ameixa…
Pode lamber a colher de pau, se acabar tem mais!
Amor de fogão à lenha!
Às vezes poder se acabar em finitudes é muito bom,
Porque no tempo delas acontecerem é que somos perenes,
Nos tornamos.
É o tempo de sermos.
É o tempo.
Lembro de amor (para finalizar).
Tim-tim!

Anderson Ribeiro

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