Resumo

Eu tenho um silêncio de lusco-fusco
E asas de nadar feito minhoca
Tenho rédeas translúcidas
E cabresto sob medida para pular de pára-quedas
Uma loucura lúdica de empinar pipa
E um atabalhoamento de fazer cócegas
Costumo um estampido exagerado
E tenho gelinhos de estimação que enxugo sempre que não é possível
Tenho palavras soltas e ideias inatingíveis
Tenho alguns sorrisos e uns amigos que riem deles
Uns poucos relâmpagos debaixo do braço que são pra sonoplastia própria
Não me imagino sem meus pasteis de vento solar noturno
São lindos!
Uma vez tive um esparadrapo por uma semana
Ficava no pé curando verruga
Me desfiz deles
Troquei por algo menos bolorento e doído
Acho que meu relâmpago era trovão, raio não era
Ainda tenho uma caixinha com letras bonitas
Dessas que dizem da gente em troca de sorrisos
Vivo tendo de explicar que decidi parar de sentir cócegas
E que já xinguei o monstro de areia dos meuis sonhos infantis
Dei uma lição nele
Meu menino não me larga
Nem eu dele
Dois bobos alegres
Me restam muitas histórias de protagonista
Isso é bom pra viver mais
Tenho amores e umas rabujices
Acho que por causa do atabalhoamento
Acho que por causa do improviso
Eu tenho sonhos de vagalume
Desses que iluminam o breu pra dar uma espiadinha
Eu tenho sorte
E um amor que cuida de mim

Anderson Ribeiro
06/03/2015

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